Grupo de Estudos Avançados em Saúde e Exercícios

 

Fibromialgia

Elke Oliveira

29/02/2004

Introduo

Para facilitar a compreenso desse tema faz-se necessrio definir o que uma sndrome. Sndrome um conjunto de sintomas / sinais que podem ser produzidos por mais de uma causa e que necessita de um diagnstico de excluso para se chegar a uma concluso.

A fibromialgia uma sndrome crnica caracterizada por dores nos msculos e tecidos conectivos fibrosos (tendes e ligamentos) com pontos dolorosos em regies anatomicamente determinadas (WOLFE, et al 1990). As causas ainda no esto totalmente esclarecidas, entretanto, recentes evidncias cientificas sugerem que alteraes no metabolismo e na regulao de determinadas substncias do Sistema Nervoso Central (serotonina, noradrenalina, e substncia P) podem contribuir para o seu desenvolvimento. (LAWRENCE e LEVENTHAL 1999).

A origem da fibromialgia est associada a fatores genticos, neuroendcrinos e psicolgicos (MOLDOFSKY, 1989), alm de vrias outras manifestaes que acompanham seu diagnstico, tais como (WOLFE, 1986; DINERMAN, GOLDENBERG, FELSON, 1986):

- Distrbios do sono;

- Sndrome do coln irritvel (problema digestivo clica abdominal);

- Cefalia (dores de cabea 50% dos casos);

- Fenmeno de Raynaud (20 e 35% - diminuio do fluxo sanguneo para alguns tecidos ou rgos);

- Fadiga muscular;

- Ansiedade;

- Depresso (25%);

- Parestesia (expressa por um formigamento);

- Estresse;

- Rigidez muscular ao acordar entre outras menos freqentes.

Esta sndrome atinge de 1 a 5% da populao, em geral (WOLFE & CATHEY, 1983) 73 - 88% dos casos so diagnosticados em mulheres com 29 a 37 anos de idade (incio), sendo confirmados, entre 34 e 57 (WOLFE et al, 1990 ). No Brasil no existem dados oficiais, porm estima-se que mais de 5% da populao tenha probabilidade de desenvolve-la.

Apesar da fibromialgia ter sido descrita a mais de 150 anos, somente nas ltimas dcadas seu conceito evoluiu, diferindo da viso que se tinha h 20-50 anos atrs (KELLY, 1946; REYNOLDS, 1983). O fato de ser uma sndrome, de existir uma grande confuso em relao terminologia utilizada e as inmeras sobreposies a outras sndromes fizeram com que, durante muito tempo, os estudos fossem prejudicados.

A terminologia Fibromialgia foi proposta por HENCH em 1976, e j no ano seguinte SMYTHE e MOLDOFSKY elaboraram critrios para o seu diagnstico. Nesse meio tempo, os estudos comearam a detectar que muitos pacientes com a sndrome apresentavam, as seguintes regies anatmicas dolorosas em comum: o epicndilo lateral, a regio costocondral e os grupamentos musculares da regio cervical.

Em 1990 O Colgio Americano de Reumatologia props que focos de dor difusa (forte e persistente) fossem usados como critrios diagnsticos, podendo ser identificados em 18 pontos bilaterais do corpo (figura1), dentre os quais pelo menos 11 devem ser detectados por digitopresso de 4 kg/cm2, para que seja caracterizada a fibromialgia (WOLFE et al, 1990). Entretanto, SMYTHE, BUSKILA e GLADMAN (1992) sugerem que pacientes com menos de 11 pontos dolorosos tambm poderiam ser considerados fibromilgicos desde que outros sintomas e sinais estivessem presentes.

Para realizar o exame dos pontos, deve-se manter o paciente sentado sobre uma mesa apropriada, na qual o avaliador realiza o teste questionando sobre a sensao dolorosa de cada ponto padronizado, um por vez, bilateralmente e de cima para baixo (WOLFE et al., 1990 ).

Pontos padronizados de dor (Figura 1):

- Trapzio;

- Segunda Condrocostal;

- Epicndilo Lateral;

- Joelho;

- Suboccipital;

- Cervical;

- Supraespinhal;

- Glteo;

- Trocanter.


Tratamento

O objetivo do tratamento melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Para isso, so usados farmacolgicos e outras terapias como: suplementao de vitaminas, repouso, exerccios, acupuntura, hipnose e preces (RICHARDS e CLEARE, 2000).

Analgsico e antiinflamatrios so comumente prescritos para o controle da dor, porm a eficincia no significativamente efetiva, principalmente em longo prazo (RICHARDS e CLEARE, 2000) .
Os antidepressivos, em baixas doses, so recomendados para melhorar a qualidade do sono, fadiga ao acordar e diminuio dos pontos dolosos (CARETTE et al, 1986).

O uso de hipnticos outra terapia recomendada, por atuar na melhora do sono e na fadiga diurna, porm no se mostrou eficiente na reduo da dor (MOLDOFSKY et al).

Algumas prticas devem ser especialmente evitadas por portadores de fibromilagia, como tabagismo e o alcoolismo. Pesquisas revelam que pacientes ao deixaram tais hbitos conseguiram melhorar a qualidade do sono, a sensao de dor difusa, intestino irritvel e cefalia.

Exerccios

Os portadores de fibromialgia demonstram uma boa aderncia aos exerccios, sendo at mais assduos e persistentes que indivduos em tratamento para o controle do estresse (WINGERS; STILES e VOGEL; 1996).
Uma pesquisa feita por MAQUET et al em 2002, comparou a performance muscular de mulheres com fibromialgia e mulheres saudveis. Os teste realizados foram: fora isomtrica mxima dos msculos extensores e flexores do joelho, fora de presso manual, resistncia fadiga muscular e esttica durante manuteno da postura. Em todos os testes as mulheres com a sndrome apresentaram valores inferiores ao grupo controle: 39% a menos para fora muscular, 40% para resistncia de fadiga, e 81% para resistncia esttica. Uma observao, todas as mulheres da amostra praticavam, no mximo, atividades recreativas.

Apesar da probabilidade das pacientes com fibromialgia apresentarem uma menor performance muscular, os exerccios so extremamente benficos para aptido fsica, aspectos psicosociais e simatologia (KARPER e STASIK 2003). No tocante ao tempo e magnitude das adaptaes neuromusculares (rea de seco transversa do msculo, nveis de fora mxima, e concentraes hormonais), mulheres com fibromialgia, demonstram resultados praticamente iguais a mulheres saudveis depois de realizarem um treinamento de fora (HAKKINEN 2002).

H uma preocupao excessiva em relao ao agravamento do quadro com a realizao de exerccios, porm estudos demonstram que no h reaes adversas advindas da atividade fsica bem orientada (MARTIN et al 1996; KARPER e STASIK 2003).

Consideraes Finais

H razes para sermos otimistas quanto ao tratamento da Fibromialgia. A cincia garante que est cada vez mais perto do enigma ser desvendado. O maior problema enfrentado pelos Reumatologistas que pouco se sabe sobre os mecanismos da dor crnica, pois ela no possui manifestaes inflamatrias ou auto-imunes, o que dificulta o tratamento.

O caminho Holstico a maneira mais eficiente na busca pela melhora da qualidade de vida desses indivduos. A integrao de diversas terapias, envolvendo diferentes reas como a Educao Fsica, Psicologica, Psiquiatrica, Nutrio, Fisioterapia, Farmacologia e terapias alternativas, tem sido o principal meio para minimizar os sintomas.
Os pacientes devem ser cuidados de forma individual e sempre levar em considerao a interao mente e corpo.
Com relao ao sintoma principal, dor difusa, ela pode ser aliviada com analgsicos, porm esse tratamento tem se mostrado, em muitos casos, pouco eficientes assim como os antiinflamatrios. Os medicamentos neuropticos tambm fazem parte dos farmacolgicos, entretanto pouco se sabe, sendo necessrio mais estudos. Quanto aos que afetam os receptores de serotonina e noradrenalina (antidepressivos), esses sim, parecem demonstrar efeitos mais consistentes na diminuio da dor, alm de colaborarem com a melhora do sono (LAWRENCE e LEVENTHAL 1999).

A prtica de exerccios se mostrou eficiente trazendo, alm de todos os benefcios que j conhecemos, melhoras no sono e na dor difusa.

Referncias Bibliogrficas

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HAKKINEN K, PAKARINEN A, HANNONEN P, HAKKINEN A, AIRAKSINEN O, VALKEINEN H, ALEN M. Effects of strength training on muscle strength, cross-sectional area, maximal electromyographic activity, and serum hormones in premenopausal women with fibromyalgia. J Rheumatol. 29(6):1287-95.2002.MARTIN, L.; NUTTING, A.;
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