Grupo de Estudos Avançados em Saúde e Exercícios

 

Alongamento e hipertrofia

Paulo Gentil

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Alongamento: IGF-1, bag-stretching e hipertrofia.

Constantemente ouvamos "marombeiros" falando: "no alongue pois atrapalha o ganho de massa muscular!","alongamento no serve para nada!". O legado desta teoria infundada o grande nmero de malhadores com a musculatura encurtada, vemos freqentemente bceps que no estendem totalmente, ombros projetados frente, escpulas elevadas...

Muitos desconhecem que o alongamento no serve s como meio de profilaxia de leses ou na promoo da batidssima qualidade de vida. Na verdade exerccios de alongamento podem favorecer o anabolismo atravs de duas maneiras distintas: aumento do espao fsico dentro da fibra muscular e liberao de hormnios anablicos

Alguns autores acreditam que o alongamento da clula favorece o crescimento da fibra muscular por aumentar o espao fsico (HAUSSINGER, 1990 e 1993; MILLWARD, 1995). Supe-se que ao "esticarmos" a clula, ocorre a dilatao dos tecidos conjuntivos que as envolvem. Alm disso, h uma relao de proporcionalidade direta entre dimenso da clula muscular e sua quantidade de ncleos (ALLEN et al, 1995; MOSS, 1968). Outra suposio que o contato fsico entre as clulas musculares pode ser um sinal para que as clulas satlites permaneam inativas, portanto ao aumentar-se o espao entre as fibras, tais clulas ativam-se e formam novos ncleos e/ou novas fibras (BISCHOFF et al, 1990). Lembre-se: no ncleo se encontra o DNA, a partir do qual sintetizado o RNAm, que por sua vez direciona o processo de sntese protica. Tire da sua concluso...

Existem autores que se referem hipertrofia ao aumento do IGF-1 em animais submetidos a alongamentos. Os resultados so impressionantes, os msculos chegam a crescer 85% e a expresso de RNAm para a sntese de IGF-1 aumenta at 40 vezes. Diversas pesquisas publicadas verificaram que o alongamento uma maneira extremamente eficiente e rpida de induzir hipertrofia, proporcionando aumento na produo de protenas contrteis e no nmero de sarcmeros, tanto em srie, quanto em paralelo, o que obviamente pode ser ainda mais significativo com a utilizao concominante de sobrecarga. (GOLDSPINK, 1999, JAMES et al, 1997, MITCHELL et al, 1999, YANG et al, 1996; YANG et al, 1997). Mas lembre-se que h inegveis limitaes na generalizao das pesquisas acima, pois muito difcil reproduzir as metodologias em humanos.

Na prtica, existem diversas maneiras de aproveitar os exerccios de alongamento, muitos fisiculturistas, por exemplo, utilizam-se deles entre suas sries, o nico cuidado a ser tomado com a intensidade, pois um exagero na amplitude ocorrida na hora e maneira erradas pode causar leses nos msculo e demais tecidos, o que te afastar dos treinos por um bom tempo. interessante ressaltar que a maioria dos estudos refere-se a alongamentos intensos, o que seria entendido como treinos de flexibilidade, h relatos de estiramentos superiores 20% do comprimento normal do msculo mantidos por horas, dias e at semanas, o alongamento leve, estilo relaxamento, certamente tem um efeito importante, mas dificilmente lhe trar os benefcios citados neste artigo.

Se voc acreditava na antiga teoria de negligenciar (ou negar) o alongamento, pode ser que tenho sub-utilizado seu potencial de crescimento, pois, ao contrrio do que se dizia, o alongamento ajuda, e muito, o processo de hipertrofia. Ento o que voc est esperando: ALONGUE-SE.

Veja mais em Amplitude

MITCHELL P, STEENSTRUP T,HANNON K. . Expression of the fibroblast growth factor family during postnatal skeletal muscle hypertrophy. J. Appl. Physiol.86(1): 313319, 1999.

ALLEN DL, MONKE SR, TALMADGE RJ, ROY RR, EDGERTON VR. Plasticity of myonuclear number in hypertrophied and atrophied mammalian skeletal muscle fibers. J Appl Physiol 1995 May;78(5):1969-76

BISCHOFF R. Interaction between satellite cells and skeletal muscle fibers. Development 1990 Aug;109(4):943-52 GOLDSPINK, G et al. Changes in muscle mass and phenotype and the expression of autocirne and systemic growth factors by muscle in response to stretch and overload. J Anat 1999 Apr;194 ( Pt 3):323-34

HUSSINGER, D., et al., "Cell Swelling Inhibits Proteolysis in Perfused Rat Liver," Biochem. J. 272.1 (1990) : 239-242.

HUSSINGER, D., et al., "Cellular Hydration State: An Important Determinant of Protein Catabolism in Health and Disease," Lancet 341.8856 (1993) : 1330-1332.

JAMES RS, COX VM, YOUNG IS, ALTINGHAM JD, and GOLDSPINK DF. Mechanical properties of rabbit latissimus dorsi muscle after stretch and/or electrical stimulation. J. Appl. Physiol. 83(2): 398406, 1997.

McKOY, G et al. Expression of insulin grwth factor-1 splice variantes and structural genes in rabit skeleta muscle induced by stretch and stimulation. J Physiol (London), 1999)

MILLWARD, D.J., "A Protein-Stat Mechanism for Regulation of Growth and Maintenance of the Lean Body Mass," Nutr. Res. Rev. 8 (1995) : 93-120.

MOSS, F.P. "The Relationship Between the Dimension of the Fibers and the Number of Nuclei During Normal Growth of Skeletal Muscle in the Domestic Fowl," Am. J. Anat. 122 (1968) : 555-564.

YANG, H et al. Changes in muscle fiber type, muscle mass and IGF-1 gene expression in rabbit skeletal muscle subjected to estretch. J Anat, May 1997

YANG, S et al. Cloning and characterizatio of an IGF-1 isoform expressed in skeletal muscle subjected to stretch (J Mucle Res Cell Motil, Aug 1996