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O agachamento está entre os exercícios mais completos que se pode realizar
dentro das academias, envolve um elevado número de articulações e músculos e
consiste em um excelente meio de fortalecer e desenvolver a musculatura da coxa,
quadril, lombar, perna e outros inúmeros coadjuvantes que atuam na realização do
movimento. Além disso, sua utilização é extremamente funcional, pois utilizamos
esse tipo de movimento constantemente em nossas atividades diárias como, por
exemplo, para sentar e levantar de uma cadeira ou pegar um objeto no chão.
Esses, e outros fatores, levam treinadores e atletas do mundo todo a se
referirem a ele como o “rei dos exercícios”. Mesmo assim, ainda há quem o proíba
ou restrinja seu uso sem qualquer explicação plausível.
Uma das principais práticas é a diminuição da amplitude do exercício, realizando
agachamentos parciais, em vez do movimento completo. Em primeiro lugar, deve-se
deixar claro que a utilização de maiores amplitudes aumenta a intensidade do
movimento, promovendo maior recrutamento de unidades motoras e levando a maiores
ganhos de força e massa muscular (Gentil, 2011). Por exemplo, um estudo de Weiss
et al. (2000) comparou os ganhos de força de homens jovens treinando com
agachamentos e leg press realizados com amplitude completa ou só até 90 graus e
verificaram que os melhores resultados foram obtidos pelos exercícios
"profundos".
Além da eficiência, existe a questão da funcionalidade. Não devemos esquecer que
nossas estruturas musculares e articulares se adaptam de forma específica aos
movimentos. Dessa forma, indivíduos que utilizam amplitudes reduzidas poderiam
se lesionar em uma atividade cotidiana pelo simples fato de não treinar um
determinado ângulo de movimento. Assim, a limitação da amplitude, além de
diminuir a eficiência do exercício, pode prejudicar a funcionalidade em
movimentos do dia a dia.
Aliás, tudo indica que o ângulo de 90 graus, sugerido por diversos autores e
treinadores, seja fruto da imaginação de algumas pessoas. Grande parte dos
estudos e recomendações limitando o movimento se refere ao “agachamento
paralelo” que é realizado até que as coxas fiquem paralelas ao solo, o que gera
amplitudes maiores que 90 graus de flexão dos joelhos. Inclusive, parar em 90
graus é considerado um dos principais erros na execução do agachamento (Fairchild
et al., 1993). Dessa forma, quando falarmos desse exercício, estaremos nos
referindo ao agachamento completo, também conhecido como agachamento profundo.
Agachamento e Joelho
A crença de que o agachamento profundo seria lesivo aos joelhos foi baseada em
análises da década de 1960, que levaram militares estadunidenses a suspender
alguns exercícios calistênicos, como os famosos cangurus. No entanto, essas
análises iniciais possuem inúmeras limitações. Por exemplo, algumas avaliações
foram realizadas com paraquedistas, dentre os quais as lesões de joelhos são
comuns pelas pernas serem constantemente presas às linhas e devido ao impacto
ocorrido nas aterrissagens (lembrem-se que estamos falando de pára-quedas da
década de 1960). Além disso, fazer a associação dos exercícios realizados
durante o treinamento militar com os agachamentos prescritos nas academias é uma
distância enorme!
Adicionalmente, a base teórica para condenação do agachamento tem alguns
problemas relacionados à atividade muscular. Segundo alguns conceitos, o
agachamento profundo é perigoso porque, ao flexionar o joelho em ângulos maiores
que 90° aumenta-se perigosamente a tensão na patela. A maioria dos
“especialistas”, porém, analisa o agachamento pensando somente no quadríceps e
se esquecem, que na fase profunda do movimento, os músculos posteriores da coxa
são fortemente ativados ajudando a neutralizar a temida tensão exercida na
patela. Essa coativação da musculatura posterior gera uma força vetorial
direcionada para trás, que contribui para estabilizar os joelhos durante o
movimento (Isear et al., 1997) e faz com que a tensão na patela seja reduzida em
cerca de 50% (Shelburne & Pandy, 1998; Li et al., 1999). Deve-se reforçar que a
participação dos músculos posteriores é maior quanto maior for a amplitude do
movimento (Caterisano et al., 2002), e também sofre influência da carga
utilizada (Shields et al., 2005), portanto, será maior com cargas altas e amplitudes completas.
Outro problema dos estudos antigos é a análise da capacidade contrátil
das fibras sem levar em conta a relação com o comprimento e a secção transversa
do músculo, um aspecto que só começou a ser corrido a partir da publicação do
estudo de Zheng, em 1998 (Zheng et al., 1998). Esse erro levava os autores a
subestimar a força aplicada pelo músculo e superestimar a tensão aplicada às
estruturas articulares. Essa seqüência de equívocos nas análises nos obriga a
ter cautela com relação às teorias criadas para condenar o agachamento.
Inclusive, análises das forças compressivas e de cisalhamento no agachamento nos
mostram claramente que os piores ângulos são os que normalmente se recomendam
como mais seguros. Por exemplo, no estudo de Li et al., foi verificado que, para
uma carga constante, as maiores forças de translação anterior, lateral e rotação
interna da tíbia ocorrem nos ângulos de 30 a 60 graus, sendo menores quanto maior
a amplitude do movimento (Li et al., 1999). No estudo de Escamilla et al. (2001)
foi verificado claramente um aumento das forças compressivas tibiofemorais e
patelofemorais até se chegar a um ângulo de aproximadamente 80-90 graus, sendo
que essas forças caem a medida que a amplitude aumenta. Anteriormente, Zheng et
al. (1998) e Wilk et al. (Wilk et al., 1996) também haviam verificado que as
maiores forças compressivas tibiofemorais no agachamento ocorrem justamente
próximas ao ângulo de 90 graus. Adicionalmente, ao comparar o agachamento, leg
press e a mesa extensora, Wilk et al. (1996) não encontraram diferenças nas
forças compressivas entre os exercícios, além de verificarem que o agachamento e
leg press não produzem forças anteriores, ao contrário da cadeira extensora.
Interessante notar que os estudos foram realizados com uma carga constante, ou
seja, as mesmas cargas foram utilizadas para todos os ângulos. No entanto,
quando se realiza um agachamento até 90 graus, por exemplo, a carga é
consideravelmente maior em comparação com o agachamento completo. Se pensarmos
que as forças compressivas são proporcionais à carga utilizada, veremos que, na
prática, utilizar os movimentos parciais é ainda pior que usar amplitudes completas.
Esses estudos revelam um grave equívoco em que caímos ao definir os ângulos e
até mesmo a forma mais segura de realizar os exercícios. Quando se pensa em
preservar ou recuperar a articulação do joelho, é comum recomendar os
ângulos agudos, como os de 90 graus, nos exercícios de cadeia cinética fechada
(agachamento, leg press...), o que já vimos ser equivocado. Outra prática
popular é recomendar a mesa extensora no ponto de extensão máxima, muitas vezes
até com exercícios isométricos. Dois erros! Em primeiro lugar o ponto de
extensão máxima nesse exercício é o que produz maior tensão anterior (Wilk et
al., 1996). Em segundo, a isometria aumenta a rigidez, além de não aumentar o
fluxo sangüíneo para os tendões (Kubo et al., 2009).
Estabilidade dos joelhos
Em 1961, Klein afirmou que o agachamento profundo afetaria negativamente a
estabilidade dos joelhos (Klein, 1961). Uma grande limitação está no instrumento
utilizado, um tipo de goniômetro com uma extremidade fixada na perna e outra na
coxa, o qual media o deslocamento do joelho diante da aplicação de força pelo
avaliador. As medidas normalmente produziam resultados inconsistentes, o que se
levou a considerar seu grau de subjetividade inaceitável. Para se posicionar
contra o agachamento, o autor analisou diferentes grupos de atletas e procurou dar suporte às suas conclusões por meio de análises cadavéricas.
Segundo Klein, os ligamentos colaterais ficam expostos à tensão excessiva
durante o agachamento profundo, além de ocorrer uma rotação do fêmur
sobre a tíbia que poderia causar compressão nos meniscos, relato também usado
por Rasch para condenar o agachamento profundo (Rasch, 1991). No entanto, é
interessante notar que essa suposta tendência de rotação da tíbia é anulada
quando há pequena rotação externa dos pés, fato notado pelo próprio Rasch algumas páginas antes de condenar o movimento. Lembrando que essa rotação é um movimento
adotado naturalmente pelo executante durante a realização desse exercício.
A suposta frouxidão causada pelo agachamento profundo não tem fundamentação
teórica e tampouco prática. Um estudo conduzido em Oaklahoma comparou a
estabilidade anteroposterior de quatro grupos: 1) sedentários, antes e após 2
horas de repouso; 2) jogadores de basquete, antes e após 90 minutos de treinos;
3) fundistas, antes e após uma corrida de 10 km e 4) levantadores olímpicos,
antes e após treinos de agachamento profundo. De acordo com os resultados, a
frouxidão dos joelhos nos jogares de basquete e fundistas foi de aproximadamente
19%, enquanto nos levantadores de peso e sedentários, esse valor mal chegou aos
3% (Steiner et al., 1986). Portanto, se há que se temer instabilidade, é mais prudente condenar
corridas do que o agachamento profundo, mesmo com cargas elevadas.
Corroborando esses achados agudos, estudos de curto e longo prazo não
verificaram frouxidões, instabilidades ou lesões nos joelhos após a realização
de treinos com agachamentos profundos (Meyers, 1971; Chandler et al., 1989;
Panariello et al., 1994; Neitzel & Davies, 2000). Em 1971, Meyers conduziu um
estudo de 8 semanas, envolvendo agachamentos profundos e paralelos em diferentes
velocidades e verificaram que nenhuma das variações afeta a estabilidade dos
joelhos (Meyers, 1971). Panariello et al. em 1994, analisaram os efeitos de 21
semanas de treino de agachamentos profundos na estabilidade dos joelhos de
jogadores de futebol americano e não detectaram prejuízos (Panariello et al.,
1994). Chandler et al. (1989), separaram seu estudo em duas partes. Na primeira,
compararam oito semanas de agachamentos profundos, parciais ou de inatividade, e não
encontraram diferenças na estabilidade do joelho entre ou intra grupos. Na
segunda, fizeram uma comparação transversal de levantadores olímpicos e basistas,
cujos treinamentos envolvem muitos agachamentos profundos, com um grupo controle
e verificaram que, no geral, os atletas possuem joelhos mais estáveis.
Ligamento cruzado anterior:
Apesar de haver profissionais que indicam a cadeira extensora e/ou condenam a
utilização de agachamento para preservação do ligamento cruzado anterior (LCA),
a literatura científica nos indica claramente que o agachamento é um dos
exercícios mais indicados nesse caso (More et al., 1993; Yack et al., 1993).
Inclusive, estudos anteriores sugerem que ele não apenas é mais seguro que a
mesa extensora (Toutoungi et al., 2000; Kvist & Gillquist, 2001), como é mais
seguro até mesmo que a caminhada (Escamilla, 2001).
Em 1993, Yack et al. concluíram que o agachamento minimiza a
tendência de deslocamento anterior da tíbia em comparação com a mesa extensora,
sendo, portanto, mais indicado para reabilitação de LCA (Yack et al., 1993).
More et al. (1993) corroboram com essa afirmação, ao concluir que os
isquiostibiais atuam sinergisticamente com o ligamento cruzado anterior na
estabilização anterior do joelho durante a realização do agachamento, o que
levou os autores a considerarem esse exercício útil na reabilitação de lesões no
LCA. Achados similares foram obtidos por Kvist & Gillquist (2001), em um estudo
no qual se verificou que a vantagem do agachamento em relação a mesa extensora é
ainda mais evidente em pessoas com histórico de lesões no LCA do quem em pessoas
saudáveis.
A segurança do agachamento é clara não apenas na comparação com a mesa
extensora, mas também com atividades consideradas inofensivas. Em um estudo de
1985, publicado por Henning et al. foi verificado que a tensão no LCA teve a
seguinte seqüência, do maior para o menor: corrida em declive > mesa extensora >
corrida na reta > caminhada em terreno plano > agachamento com uma perna só (Henning
et al., 1985). Aliás, o agachamento unilateral realizado sem carga produz uma
tensão de LCA menor que o próprio teste de Lachman, utilizado pelos médicos para
avaliar a integridade do ligamento. Portanto, se uma pessoa consegue andar ou
pelo menos consegue sobreviver ao exame médico, pode-se supor que ela também
esteja apta a fazer agachamentos.
Com relação à amplitude de movimento, deve-se destacar que, quanto maior a
amplitude, ou seja, quanto mais profundo é o agachamento, menor será a tensão no
LCA (Beynnon & Fleming; Zheng et al., 1998; Li et al., 1999). Portanto, não só a
utilização agachamentos é segura, mas sim a utilização do agachamento profundo!
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Durante o agachamento, a tensão no ligamento cruzado anterior só é significativa
entre 0 e 60° de flexão, sendo que seu pico mal atinge ¼ da capacidade deste
ligamento em resistir a tensão (+/- 2000 N), mesmo com cargas superiores a 200
quilos (Nisell & Ekholm, 1986).
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Ligamento cruzado posterior:
Conforme a amplitude do agachamento aumenta, a tensão diminui no LCA e aumenta
no ligamento cruzado posterior (LCP), como nos mostram estudos anteriores (Zheng
et al., 1998; Escamilla et al., 2001). Portanto, pode-se questionar se os agachamentos
seriam seguros para o LCP. Em um estudo sobre o tema, MacLean et al. (1999)
analisaram dois grupos: um composto por indivíduos sedentários saudáveis, e
outro por atletas lesionados no LCP. O objetivo foi
verificar se um treino de agachamentos seria eficaz na melhora da função, ganho
de força e sintomatologia (no caso dos indivíduos com lesão). Depois de 12
semanas, observou-se aumento de funcionalidade no grupo lesionado e se conclui
que o treinamento com agachamentos é viável para reabilitar insuficiências
crônicas do ligamento cruzado posterior.
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Dificilmente será imposta ao ligamento cruzado posterior uma tensão maior que
sua capacidade, tendo em vista que mesmo ao realizar agachamentos profundos com
mais de 380 quilos, não se chega nem a 50% de sua capacidade de suportar tensão
(Race & Amis, 1994).
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Patela:
Anteriormente, já foi falado bastante sobre o fato do agachamento produzir
baixos valores de compressão patelofemoral. Inclusive a compressão promovida
pelo agachamento, leg press e mesa extensora não diferem entre si (Wilk et al.,
1996; Zheng et al., 1998). Mas, é importante destacar que a ativação da
musculatura posterior e o aumento da amplitude de movimento diminuem a compressão
patelofemoral. Por exemplo, Li et al. (1999) verificaram que a maior compressão
acontecia entre 0 e 30 graus, com posterior decréscimo.
Com relação aos efeitos crônicos, o grupo de Witvrouw comparou a eficiência dos
exercícios de cadeia cinética fechada (agachamento) com os de cadeia cinética
aberta (extensora de perna) no tratamento de dores patelofemorais e verificaram
que, apesar de ambos os protocolos serem eficientes, os melhores resultados
foram proporcionados pelos exercícios de cadeia cinética fechada (Witvrouw et
al., 2000; Witvrouw et al., 2004).
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A tração do tendão patelar chega a 6000N em 130° de flexão de joelhos com um
agachamento de 250 quilos (Nisell & Ekholm, 1986), cerca de 50% do valor máximo
estimado para esta estrutura, que varia de 10000 a 15000 N (Escamilla, 2001).
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Compressão entre femur e tibia
As forças compressivas tibiofemorais foram discutidas anteriormente. Cabe lembrar que elas chegam próximas a 8000 N durante o
agachamento com cargas elevadas (250 a 382,50 kg), sendo praticamente a mesma
nos ângulos entre 60 a 130 de flexão de joelhos (Nisell & Ekholm, 1986), porém
ainda não foi estudado um valor limite. Deve-se lembrar, no entanto, que da
mesma forma que a compressão tibiofemoral excessiva pode ser lesiva para
meniscos e cartilagens, elas têm um papel importante na estabilidade dos joelhos
(Markolf et al., 1981; Shoemaker & Markolf, 1985; Nisell & Ekholm, 1986; Yack et
al., 1994).
Considerações finais:
- As forças tensionais e compressivas desse tipo de exercício estão totalmente
dentro de nossas capacidades fisiológicas e articulares. Certamente as
estruturas ósseas e articulares estarão preparadas para realizar agachamentos
completos durante toda a vida, desde que sejam respeitados os fundamentos
científicos que norteiam o treinamento de força, com ênfase na técnica de
execução e controle de volume.
- Para realização do movimento completo, é inevitável que se utilize uma menor
quantidade de peso (carga absoluta) o que, somado à menor tensão nas
estruturas do joelho, torna esse exercício seguro para a imensa maioria dos
praticantes de musculação, mesmo os lesionados e/ou em reabilitação. Em casos de
lesões, o ideal é fazer um tratamento no qual profissionais de ortopedia,
fisioterapia e educação física trabalhem juntos.
- A amplitude do agachamento é muito importante para eficiência e segurança,
pois conforme se aumenta a flexão do joelho (“profundidade”), aumentam as
ações musculares e diminui a tensão nas estruturas articulares.
- A ação muscular é importante para o controle do movimento, portanto, não se
deve deixar que, durante a fase excêntrica (principalmente quando o ângulo
começa a ficar menor que 90 graus), o movimento perca o controle (“despencar”),
pois, desta forma, as tensões que deveriam estar sobre a musculatura, irão se
incidir nas estruturas articulares (Escamilla, 2001).
- O aumento no torque, tensão e força não significa que este exercício
necessariamente seja perigoso ao joelho, mas sim, que esses parâmetros
aumentaram, e só. As análises feitas com agachamentos profundos, pelo que
consta, não demonstram nenhum prejuízo para o joelho. As lesões geralmente são
causadas pela combinação de quatro variáveis: volumes altos, excesso de peso,
overtraining e técnica inapropriada. Com treinos progressivos e inteligentes, o
agachamento profundo certamente é seguro e eficiente.
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