Grupo de Estudos Avançados em Saúde e Exercícios

 

Msica e exerccios

Paulo Gentil

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comum ocorrerem questionamentos sobre a utilidade da msica como um recurso auxiliar a prtica de exerccios. No que tange preferncia individual, no h o que analisar, mas e quanto parte experimental? Empiricamente, a maioria de ns tem alguma opinio formada sobre a utilizao de msica, h quem s se exercite com msica, assim como h os que preferem o silncio. Para alguns a motivao o fator mais importante da msica, para outros a concentrao e alguns preferem simplesmente a distrao. Com certeza eu tenho minha opinio e voc a sua, mas qual ser o posicionamento da cincia quanto a isso?

Por incrvel que parea, esta questo no se resume a discusses de porta de academia, muitos cientistas respeitveis de pases srios, como Rssia e Alemanha j se preocupavam com o assunto na dcada de 70. Em 1979, o alemo LIPTAK publicou um artigo, no qual analisou-se o efeito da msica pop na freqncia cardaca e presso arterial (sistlica e diastlica) durante o repouso, exerccio e recuperao. O autor encontrou boa correlao entre os efeitos fisiolgicos e os psicolgicos, com destaque para a reduo da monotonia e da fadiga.

Mais de uma dcada depois, em 1991, COPELAND & FRANKS estudaram os efeitos de diferentes tipos de msica na freqncia cardaca, percepo de esforo e tempo de exausto durante trs testes em esteira: msica popular rpida e excitante (A); msica popular calma, lenta (B); sem msica (C). Na situao B, tempo de exausto foi maior e a percepo de esforo foi menor.

BECKER et al (1994) seguiram uma linha diferente, eles procuraram verificar a influencia da msica quando usada antes do exerccio, para isso utilizaram msica frentica e melosa (em ingls os autores se referiram frenetic e mellow, respectivamente). Antes de cada teste de dois minutos, os sujeitos eram expostos durante 60 segundos a um dos tipos de msica ou ao silncio. De acordo com os resultados ambos os estmulos musicais influenciaram positivamente no teste, sem diferena entre eles, mas em estudo realizado no ano seguinte, o mesmo BECKER, com outros autores, verificou que o uso de msica lenta diminui a distncia percorrida em teste com caminhadas, significando que a cadncia da msica pode influenciar o ritmo do exerccio.

Ainda em 1995, BROWNLEY usou trs condies auditivas (sem msica, com msica sedativa e rpida) em exerccios de intensidade baixa, moderada e alta. Em relao aos estmulos auditivos obteve-se os seguintes resultados: msica rpida = aumento da freqncia respiratria e as taxas de cortisol (em combinao com exerccios intensos). Neste estudo houve uma constatao interessante: a msica exerceu maior influncia psicolgica em indivduos destreinados do que em treinados, talvez pelo fato dos ltimos estarem mais acostumados psicologicamente a condies de estresse.

SZMEDRA & BACHARACH (1998) usaram a esteira rolante como ergmetro e mediram o consumo mximo de oxignio em corridas submximas, fazendo anlises sangneas para testar quantidades de norepinefrina e lactato. Os resultados desta e outras anlises para o teste sem e com msica respectivamente foram: freqncia cardaca 152,9 e 145,9 bpm; presso sistlica 158 e 151 mmHg; duplo produto 242,2 e 222,2; percepo de esforo 14,4 e 12,9 e lactato 2,75 e 2,13 mmol/l. Ocorreram alteraes na norepinefrina, porm elas no foram estatisticamente significativas. Os resultados levam os autores a concluir que a msica possui efeitos psicobiolgicos, diminuindo o desgaste metablico e psicolgico, constataes tambm feitas por PFISTER et al (1998).

No aparentemente srio Reino Unido, SZABO et al (1999) conduziram um experimento objetivando verificar se a manipulao do tempo musical (batidas por minuto) influenciaria na capacidade mxima de trabalho em teste progressivo na bicicleta. O estudo envolveu cinco situaes: 1) controle, 2) msica lenta, 3) msica rpida, 4) lenta seguida de rpida e 5) rpida seguida de lenta (nos dois ltimos casos, os tempos musicais eram alterados assim que atingia-se 70% da FCM). As medidas tomadas foram: carga total de trabalho (em WATTs), freqncia cardaca e nvel de satisfao com o teste. Os resultados: freqncia cardaca igual para todas as sesses, maior carga de trabalho obtida com a progresso de msica lenta para rpida e maior preferncia dos participantes pelas sesses com msica rpida e progresso de lenta para rpida (situao 4). Tais dados levaram os autores a concluir que progredir a velocidade da msica levou a maior capacidade de trabalho sem alterar a freqncia cardaca, o que pode se devido distrao da fadiga.

Mais recentemente, no ano 2000, POTTEIGER et al, realizaram um experimento com 27 jovens fisicamente ativos, no qual realizou-se testes com quatro diferentes tipos de estmulos sonoros (sem msica, msica clssica, msica de batidas rpidas e msicas escolhidas pela prpria pessoa). No houve diferena entre os parmetros analisados objetivamente (freqncia cardaca) entre nenhuma das quatro situaes, porm todos os tipos de msica influenciaram na percepo subjetiva de esforo, sugerindo-a como importante fator de motivao durante atividades fsicas. Resultados similares foram encontrados por um grupo de pesquisadores japoneses (HAYAKAWA et al, 2000), utilizando folca tradicional japonesa (seja l que for isso) e dance music, em comparao com a ausncia de msica.

Quanto influncia na capacidade aerbia, parece que a msica obteve sua aprovao cientfica, mas e quanto a atividades submximas? Para responder esta pergunta, PUJOL & LANGENFIELD (1999), verificaram a influencia da msica na performance de um teste de Wingate, porm os resultados no foram to bons.

Parece que desta vez os dados cientficos corroboraram nossa crena, a msica realmente mostrou exercer influncia positiva sobre o desempenho nas atividades fsicas, principalmente em parmetros psicolgicos, como motivao e percepo de esforo, o estmulo musical adequado faz com que voc se exercite com mais satisfao, e o melhor, sem perceber o esforo. Uma boa utilidade seria levar o seu walk (ou disc) man ao treino nos dias em que voc se sentir indisposto ou com dificuldade de se concentrar nos exerccios. Este certamente um dos fatores que asseguram a aderncia e eficincia dos das aulas de ginstica. Mas h um ponto a se ressaltar: como qualquer parmetro analisado subjetivamente os resultados podem variar muito de acordo com cada pessoa, dependo de seu estado de nimo e preferncias pessoais.

Refncias Bibliogrficas

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BECKER N, BRETT S, CHAMBLISS C, CROWERS K, HARING P, MARSH C, MONTEMAYOR R. Mellow and frenetic antecedent music during athletic performance of children, adults, and seniors. Percept Mot Skills 1994 Oct;79(2):1043-6. 

BROWNLEY KA, MCMURRAY RG, HACKNEY AC. Effects of music on physiological and affective responses to graded treadmill exercise in trained and untrained runners. Int J Psychophysiol 1995 Apr;19(3):193-201. 

COPELAND BL, FRANKS BD. Effects of types and intensities of background music on treadmill endurance. J Sports Med Phys Fitness 1991 Mar;31(1):100-3. 

HAYAKAWA Y, MIKI H, TAKADA K, TANAKA K. Effects of music on mood during bench stepping exercise. Percept Mot Skills 2000 Feb;90(1):307-14. 

LIPTAK V. [Psycho-physiological effects of pop music on cardiovascular parameters at rest and during exertion (author's transl)]. Wien Med Wochenschr 1979 May 30;129(10):268-75. (Artigo em alemo, resumo em ingls) .

MERTESDORF FL. Cycle exercising in time with music. Percept Mot Skills 1994 Jun;78(3 Pt 2):1123-41. 

PFISTER T, BERROL C, CAPLAN C. Effects of music on exercise and perceived symptoms in patients with chronic obstructive pulmonary disease. J Cardiopulm Rehabil 1998 May-Jun;18(3):228-32. 

POTTEIGER JA, SCHROEDER JM, GOFF KL. Influence of music on ratings of perceived exertion during 20 minutes of moderate intensity exercise. Percept Mot Skills 2000 Dec;91(3 Pt 1):848-54. 

PUJOL TJ, LANGENFELD ME. Influence of music on Wingate Anaerobic Test performance. Percept Mot Skills 1999 Feb;88(1):292-6. 

SZABO A, SMALL A, LEIGH M. The effects of slow- and fast-rhythm classical music on progressive cycling to voluntary physical exhaustion. J Sports Med Phys Fitness 1999 Sep;39(3):220-5. 

SZMEDRA L, BACHARACH DW. Effect of music on perceived exertion, plasma lactate, norepinephrine and cardiovascular hemodynamics during treadmill running. Int J Sports Med 1998 Jan;19(1):32-7.

VITTITOW M, WINDMILL IM, YATES JW, CUNNINGHAM DR. Effect of simultaneous exercise and noise exposure (music) on hearing. J Am Acad Audiol 1994 Sep;5(5):343-8.