Grupo de Estudos Avançados em Saúde e Exercícios

 

O poder da motivao

Carlos Magno

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Desde o meu ltimo texto, venho explanando sobre assuntos que me deparo no decorrer do dia-a-dia, no trato com os meus clientes e nas conversas que escuto dos mesmos na academia (lugar, que eu acredito, acrescentar muito na minha formao como profissional e como pessoa, alm de contribuir no entendimento prtico do que leio nos livros e nos artigos cientficos). Desta vez, observei um aluno, que ficou muito tempo sem freqentar a academia. Aps um breve retorno aos treinos, ele mostrou um desenvolvimento fantstico (possivelmente, devido utilizao de recursos farmacolgicos), mas, logo depois, parou de treinar adequadamente, e o bvio ocorreu: perda de massa magra acentuada e queda na auto-estima. Nas nossas conversas informais, revelou que estava utilizando fat burners para aumentar a sua disposio para os treinos, j que os mesmos, sem a ingesto de tais suplementos, nunca eram os mesmos... Uma pena, pois, como este indivduo, vrias pessoas creditam o seu sucesso e sua determinao ao uso de substncias, e no de uma permisso pessoal e uma busca em direo daquela meta almejada. Existem casos como na depresso, que distrbios qumicos (baixos nveis de serotonina) realmente afetam a personalidade do ser humano, precisando, muitas vezes, de interveno farmacolgica e psicolgica. Vou tentar explanar, de forma resumida, qual importncia da motivao no esporte. 

Nosso organismo regulado por dois sistemas especiais: sistema endcrino e sistema nervoso. Adaptaes para mudanas externas e internas no corpo ocorrem atravs deles, por meio de hormnios lanados na corrente sangnea e terminaes nervosas utilizadas na estimulao de um tecido alvo, respectivamente (SALZANO JR., 1991). A partir da, podemos observar que os maus funcionamentos dessas estruturas podem realmente acarretar em prejuzo para a performance do indivduo, pois todos as possveis causas de fadiga comeam por elas. Segundo Powers & Howley (2000), o primeiro dos possveis stios da fadiga o seguinte: 

Psique / crebro: Estudos de Ikai & Steinhaus e Asmussen & Mazin (1961 e 1978, respectivamente) sugeriram que o limite superior da fora voluntria definido psicologicamente, pois alguns fatores emocionais ou estimulantes so necessrios para atingir um limite fisiolgico. 

Em relao ao sistema endcrino, quando submetemos nosso corpo a alguma situao de estresse, o organismo secreta hormnios que preparam-no para as possveis reaes (e esse fenmeno ocorre durante a prtica de exerccio fsico, devido liberao de endorfinas, hormnios responsveis pelo o bloqueio da dor e sensao de euforia). O contrrio verdadeiro: o sedentarismo faz com que o organismo produza cortisol, que um hormnio catablico, fazendo que a massa muscular seja degradada e ocorra ainda uma queda na qualidade de vida do indivduo (GUIMARES NETO, 2003). O excesso de exerccio fsico e repouso inadequado tambm promove aumento na produo deste hormnio. A recuperao ps-treino, tanto fsica como mental de suma importncia para melhores resultados e para a sade e bem-estar geral (leia o artigo Meios para maximizar a recuperao ps-treino). 

No treinamento desportivo; estudiosos utilizam como parcela importante, mtodos psicolgicos para potencializar a performance e minimizar fatores que perturbem o atleta. Weineck (1989) cita que o treinamento mental (TM), onde o atleta levado a exercer seu poder de concentrao atravs da exposio a filmes que demonstrem o gesto motor do esporte em questo, repeties dos gestos e at visualizaes do treinamento. Esse mtodo causa marcas, induzindo a um aumento no trabalho orgnico (elevao da PA e FC e excitabilidade dos nervos perifricos), levando a acelerao do encaminhamento dos modelos de coordenao motora. A hipnose tambm citada pelo mesmo autor devido seu poder em melhorar a concentrao do atleta, evitando que variveis adversas ao treino atrapalhem o rendimento: medo do fracasso, ansiedade em demasia, etc. Os fisiculturistas tendem a utilizar meios parecidos com o citado acima: escolhem um modelo exemplar (quem no se lembra daquelas academias mais antigas, onde havia as fotos de campees espalhadas na parede), estabelecendo metas para um prazo menor, mas, que no atrapalhem o objetivo final, arrumam um parceiro de treinamento para que assim, um possa gerar no outro uma ligao de motivao que os empurrem frente, em direo do objetivo final, etc. 

Arnold Schwarzenneger cita em seu livro: Motivao a fora que o impulsiona e permite que desenvolva uma determinao de objetivo que de fato lhe d a disposio treinar o mais rduo possvel ... A disciplina provm do prazer de aguardar ansiosamente para alcanar o objetivo que voc aprendeu a visualizar de forma clara na mente e a trabalhar duro e consistentemente, repetio por repetio, srie por srie, sesso por sesso. Corroborando com o astro, acredito que motivao seja a forma de como voc encara tudo relacionado no s ao seu treino, mas, tambm a respeito da sua nutrio, da sua recuperao, da sua vida... Motivao comprometimento, que o leva a gerar uma energia interna, forte o bastante para o alcance do resultado final. No seja como o nosso amigo mal informado e apressado do primeiro pargrafo: MENS SANA, CORPORE SANO. 

Leia tambm

Musica e exercicio

Referncias Bibliogrficas 

GUIMARES NETO. W. M. Musculao: alm do anabolismo. Phorte Editora, 2003; 

POWERS, S. K. & HOWLEY, E. T. Fisiologia do exerccio: Teoria e aplicao no condicionamento e ao desempenho. Editora Manole, 2000; 

SALZANO JR. I. Drogas no esporte e teste antidoping. Probitica-Diviso editorial, 1991; 

SCHWARZENEGGER, A. & DOBBINS, B. Enciclopdia de fisiculturismo e musculao, Artmed editora, 2001; 

WEINECK, J. Manual de treinamento esportivo, Editora Manole, 1989.