A verdade sobre aeróbios e emagrecimento

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“Para reduzir a gordura corporal são necessários exercícios aeróbios de baixaintensidade e longa duração”. Certamente você ouviu esta frase milharesde vezes, porém eu posso lhe garantir que esta é uma das maiores mentirasda nossa história, sendo propagada devido à desinformação, falta deinteresse, interpretação equivocada e ausência de senso crítico de algunsprofissionais. A balela de qualidade de vida é outro argumento infundadoaté mesmo do ponto de visto psicológico, que é onde muitos pseudocientistastem se refugiado. É incompreensível como uma atividade ineficiente que consumagrande parte de seu tempo disponível possa melhorar a vida de alguém. Nãoseria preferível elaborar um treinamento eficiente com uma baixa necessidade detempo e proporcionar mais tempo para se usar com a família, lendo um livro,vendo um filme ou simplesmente descansando? Com certeza os exercícios aeróbiostem seu espaço, mas este espaço não é tão grande quanto muitos pretendem.

Em1994 TREMBLAY conduziu uma pesquisa no Canadá que ajudou a acabar com o mito deque exercícios aeróbios de baixa intensidade sejam os mais eficientes paraperda de gordura. A amostra era composta por indivíduos destreinados divididosem dois grupos. Um deles se exercitou por 20 semanas, iniciando os treinos a 65%da freqüência cardíaca máxima (FCM) e progredindo para 85%, cada treinodurava entre 30 a 45 minutos e era realizado de 3 a 4 vezes por semana. Osegundo grupo se exercitou por 15 semanas, executando aquecimento e em seguida10 a 15 tiros de 15 até 30 segundos ou 4 a 5 tiros de 60 até 90 segundos. Osintervalos ocorriam até que a freqüência cardíaca chegasse a 120-130 bpm.

Deacordo com os resultados, o grupo 1 (menos intenso) gastou mais que o dobro decalorias que o grupo 2 (120,4 MJ em comparação com 57,9MJ), porém os indivíduosdo segundo grupo obtiveram uma redução no percentual de gordura bem maior queo primeiro. Segundo TREMBLAY, “quando calculamos a quantidade de gorduraperdida por caloria, o grupo 2 obteve um resultado nove vezesmelhor”. A conclusão dos autores: “para um dado nível de dispêndioenergético, exercícios vigorosos favorecem balanço calórico e balanço delipídios negativos em proporções maiores que exercícios de intensidademoderada a média. Além disso as adaptações da musculatura esqueléticaocorridas como resposta ao treinamento intervalado intenso parecem favorecer oprocesso metabólico do lipídios.”

Respirefundo e leia com atenção esta frase: “se o objetivo é perder gordura e otempo for limitado, as pessoas devem se exercitar com segurança nasintensidades mais altas possíveis…” esta foi a conclusão de GREDIAGINet al (1995) quando submeteram dois grupos a diferentes intensidades de exercício(50% e 80% do VO2 máx, respectivamente), sendo que as atividades eramrealizadas até que se chegasse ao total de 300 Kcal. Ao final do estudo ambosos grupos perderam a mesma quantidade de gordura, porém o grupo que seexercitou intensamente ganhou mais que o dobro de massa magra em relação aooutro.

Intensidadesmais elevadas parecem influir também no aspecto nutricional, conformeverificado em um estudo de BRYNER et al (1997), onde os exercícios em freqüênciascardíacas mais altas resultaram em maior redução da gordura, assim comodiminuição da ingestão de gorduras saturadas e colesterol, o que nãoaconteceu em freqüências cardíacas baixas.

Asatividades intensas levam vantagem até mesmo quando compara-se exercícios demesmo dispêndio calórico total. Nesses casos é verificado que os de maiorintensidade proporcionam gasto calórico mais elevado e maior degradação decarboidratos e gorduras após o treino, o que leva a crer que o período pósexercício deve ser levado em conta quando analisamos a eficiência dasatividades.(CHADet al, 1991; SMITH et al, 1993; PACHECO SÁNCHEZ, 1994; PHELAIN et al, 1997,KLAUSEN et al, 1999, LEE et al, 1999 ).

Porémquando relato vantagens relativas aos resultados obtidos com treinos intensos, nãodevemos nos prender a abordagem mecanicista. Se fossemos usar a matemáticalinear jamais conseguiríamos entender ou mesmo acreditar nesse fenômeno.Lembre-se que nosso sistema tem características não lineares, podendoresponder de forma caótica aos diversos estímulos. Desta forma, por maiscontraditório que pareça, o uso de treinos intensos (que praticamente nãousam gorduras) altera os processos metabólicos (não temos certeza de quaisestruturas) de modo a favorecer reações a queima de gordura e inibir seu acúmulo.

Considerações finais

Asatividades aeróbias certamente tem seu valor, mas não realizam nem a décimaparte do que lhe é atribuído. Caminhadas podem ser de grande valia, porémesses casos são exceções. Isto não significa que atividades pouco intensassejam totalmente ineficientes, a questão é que elas não são “as”mais eficientes.

Especificamentepara a redução da gordura corporal as atividades aeróbias de baixaintensidade são, digamos assim, uma prática inadequada. De onde surgiu estateoria? Pode-se dizer que inicialmente foi da falta de conhecimento e até mesmoo paradigma mecanicista, propagando à medida que os profissionais abstinham-seem questionar o paradigma dominante. Deve-se perder o péssimo hábito dedecorar literalmente textos de livros ao invés de analisar criticamente o queestá escrito. Os livros de fisiologia dizem que durante atividades de baixaintensidade a quantidade relativa de gordura utilizada é maior. Apalavra destacada diz tudo, é relativa ao total de calorias usadas.

Outracausa desta linha de raciocínio é a irritante simplicidade do tipo “sevocê usou mais gordura durante a atividade então esta atividade perde maisgordura”. Esta linha também culmina em teorias como: “se você comergordura, vai ganhar gordura, se comer proteína vai ganhar proteína” eassim vai… Mas muitos se esquecem, ou simplesmente não sabem, o que acontececom o nosso corpo em resposta aos exercícios. a partir de uma abordagem maisintegrativa e complexa, pode-se dizer então que as atividades físicas demaiores intensidades, especialmente os treinos intervalados são extremamenteeficazes e recomendáveis para o processo de redução da gordura corporal.

(Nasacademias há grande possibilidade de encontrarmos aulas com estas características,tudo depende da qualidade técnica do professor ao seguir os preceitos fisiológicosna elaboração da sua aula, lembre-se que a mesma modalidade pode almejarobjetivos diferentes e até mesmo opostos. Algumas modalidades que podem ser úteissão: aulas de spinning, step e lutas, além de treinosintervalados na ergometria)

Referênciasbibliográficas

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KLAUSENB; TOUBRO S; RANNERIES C; REHFELD JF; HOLST JJ; CHRISTENSEN NJ; ASTRUP AIncreased intensity of a single exercise bout stimulates subsequent fat intake.Int J Obes Relat Metab Disord, 1999 Dec, 23:12, 1282-7

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TREMBLAYA; SIMONEAU JA; BOUCHARD C Impact of exercise intensity on body fatness andskeletal muscle metabolism. Metabolism, 1994 Jul, 43:7, 814-8

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