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Introdução

        A Corrida de Aventura é uma modalidade esportiva em equipe, na qual osatletas percorrem distâncias variadas, na natureza, entre diferentes pontosutilizando um mapa e alguns equipamentos pré-estabelecidos pela organizaçãoda prova.

        Uma das regras da prova é não deixar que os integrantes das equipes sedistanciem um dos outros, o que torna a velocidade máxima do grupo o ritmo dosindivíduos mais lentos. Esse e outros fatores tornam a Corrida de Aventura umdesafio não só para o limite do corpo de cada um, mas também para orelacionamento em grupo, onde a ajuda mútua entre os mais fortes e mais fracosé muito importante, pois se um integrante desistir, toda a equipe édesclassificada.

Otreinamento e as provas da Corrida de Aventura são muito desgastantes e exigembastante do físico do atleta, e justamente por isso é muito freqüente relatode gripes ou diarréias no período próximo à competição e falta de disposiçãoou energia e câimbras durante a prova. Vale ressaltar que uma alimentaçãoinsuficiente em nutrientes e água tem sido considerada um determinante noaparecimento de tais queixas.

        Outro fator interessante é que os atletas devem durante todo o percursolevar em suas mochilas o seu equipamento de segurança, comida e água. Porém,para carregar menos peso e volume, os primeiros itens a perderem espaçonas mochilas são a água e a comida.

 Desidratação

     A desidratação leva a uma diminuição do apetite e conseqüentementeum menor consumo energético acarretando em uma alimentação hipocalórica oque diminui a vontade de beber água. Desta forma, o atleta vai reduzindo seuconsumo hídrico e de energia como em um ciclo vicioso e sem perceber fica desidratado e sem energia para a manutenção daintensidade do esforço. Esse fato tem influência direta no rendimento doatleta, no humor, capacidade de concentração, disposição e outros fatoresque complicam a convivência em grupo e o rendimento geral de toda a equipe.

     Segundo McArdle e colegas (1996), a água perfaz 40 a 60% da massacorporal de um indivíduo.  Assim,para um bom funcionamento de todo o metabolismo corporal é necessário umestado de euhidratação, pois a água participa de praticamente todos osprocessos metabólicos do corpo, sejam esses anabólicos ou catabólicos.

     Um consumo hídrico adequado deve girar em torno de 1 ml de água paracada kcal gasta sob condições médias de dispêndio energético e exposiçãoambiental (National Research Council, 1989). Outra maneira de verificar o volumede líquido que deve ser ingerido ao longo de uma atividade física é pelo pesocorporal perdido durante a atividade. Esse peso é utilizado para calcular opercentual de desidratação do atleta e serve como base para atingir umahidratação correta. Por exemplo, se um atleta de 50kg que perde 2,5kg duranteuma prova, teve uma desidratação em torno de 5%.

     Durante o exercício os atletas tipicamente bebem volumes insuficientes de líquidospara suprir as perdas pelo suor. Essa observação tem sido denominada de“desidratação voluntária”(Greenleaf & Sargent, 1965). Este fato deveser observado, pois se o atleta começa a se preocupar com a hidratação apenasdepois de se desidratar e bebe muita água de forma compensativa, isso pode ocasionar  um desconforto gástrico, uma vez que  a desidratação causada por reposição insuficiente de líquidosdurante o exercício reduz a taxa de esvaziamento gástrico (Rehrer et al,1990).

Levandoem consideração que a desidratação é muito comum entre os atletas, oobjetivo desse estudo foi avaliar de forma observacioal se a hidratação deatletas de Corrida de Aventura, durante uma prova de curta duração, foiapropriada. A pesquisa foi realizada com 31 voluntários, de ambos os sexos (9mulheres e 22 homens). A prova teve duração de menos de 1 dia, e as equipeseram compostas por 2 a 4 pessoas. Antes da competição foi realizada umaentrevista, e o atleta foi pesado e algumas dobras cutâneas foram aferidas.    

Discussãodos resultados

   Otempo de prova dos diferentes atletas estudados foi muito variado, por exemplo,a equipe vencedora terminou a prova em 4 horas e 4 minutos e a última equipe achegar fez um tempo de 9 horas e 6 minutos. Essa grande distância entre ostempos de prova dispersou muito os dados como, o gasto energético e a diferençade peso. Assim, para melhor correlacionar os achados foram analisadaspreferencialmente algumas variáveis: A diferença de peso (peso antes – pesodepois da prova); a hidratação relacionada com o gasto energético e a hidrataçãopor hora.

 Diferençade peso

Adiferença entre o peso antes e logo após a atividade física é muitoutilizada para determinar o grau de desidratação do indivíduo, pois a maiorparte desse peso perdido é de água. No presente estudo não foi possívelestabelecer um padrão de hidratação, mas nota-se bem freqüente uma relaçãode que o atleta bem hidratado tende a perder menos peso.

Hidrataçãox Gasto energético

   Sabe-se que quanto maior o gasto energético, maior a necessidade hídrica donosso organismo. De uma maneirageral, o consumo de líquidos dos atletas estudados aumentou de acordo com oaumento do gasto energético, mas de forma insuficiente ao esperado.Dosatletas acompanhados, apenas 45% consumiram um volume adequado de líquidos. Dosatletas que se hipohidrataram, 16% tiveram um consumo inferior a 50% doesperado.A maioria dos atletas desidratou o suficiente para ter prejuízono rendimento.Segundo Murray, R (1992), uma desidratação de apenas 1% jáprejudica a termorregulação, respostas fisiológicas e o rendimento do atleta.

   Os resultados do estudo revelaram que dos 32 atletas acompanhados, 84% perderammais de 2% de peso durante a prova. Sendo a média de perda igual a 3,8%, amenor perda  0,62% e a maior 7,15%,oque implica em grandes riscos à saúde. Segundo Wolinsky (1996), a perda de 5%de água do corpo pode conduzir a uma exaustão de calor; 7% pode causar alucinaçõese 10% pode  levar a acidentesvasculares cerebrais devido ao calor e conseqüentemente ao óbito.        

Hidratação porhora

   Como a duração da prova foi diferente para os diversos atletas, verificar ahidratação total dividida pelo tempo individual de prova de cada atleta setornou mais eficiente que o volume hídrico total por si só.Segundo Richard Kreider (1991), uma hidratação adequadapara exercícios prolongados deve ser de 100 a 200 ml a cada 5 a 10 minutos deprova. Com base nesses dados a hidratação mínima por hora deve ser em tornode 600ml, e com base no volume de esvaziamento gástrico, não ajuda muito seultrapassar 1 litro por hora (Wolinsky, 1993).

   Dosatletas acompanhados, nenhum superou a hidratação de 1 litro por hora, a médiaficou em 0,58 litros, o que significa que a maior parte dos atletas ingeriu menosque o mínimo aceitável para uma correta reposição de líquidos corporais. Amelhor hidratação por hora ficou em 0,984 e a menor em 0,226. De acordo com osresultados, 48% dos atletas tiveram uma hidratação, por hora, igual ousuperior a 600ml. Dos atletas que não atingiram o nível mínimo esperado, 19%ficaram abaixo de 300ml por hora, quer dizer, não chegaram nem à metade do mínimoesperado.  

ConsideraçõesFinais

   Amodalidade esportiva Corrida de Aventura é nova e por isso possui poucosestudos, o que dificulta a comparação dos resultados encontrados com outros damesma modalidade.Com base na média de hidratação por hora e o valor de gasto/hidrataçãoque foram encontrados na população estudada, a conclusão do estudo foi de quea maioria dos atletas de corrida de aventura não se hidrata corretamente. Issoé um risco, uma vez que eles se encontram a maior parte do tempo em ambientesnaturais inóspitos. Além disso, a desidratação aumenta os riscos de lesões,já inerentes a esse tipo de competição.

   Arecomendação para provas de Corrida de Aventura de curta duração, com basenos resultados do estudo, é que os atletas levem consigo pelo menos 2/3 doconsumo hídrico adequado. Esse cálculo deve ser baseado no valor de 1 litropor hora prevista de prova. Se não houver rios ou pontos de reabastecimento delíquidos durante a prova, o cálculo deve ser feito com base no valor mínimode 600 ml por hora, prevista de prova mais um adicional de 20% para possíveisatrasos na previsão de chegada.

ReferenciasBibliograficas

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