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Graças aosJogos Pan-Americanos, muitos esportes de baixa visibilidade têm a oportunidadede aparecer. Um deles que vem se destacando é a Ginástica Artística (GA),tanto masculina quanto feminina. Entretanto, a GA causa intriga entre váriaspessoas como pais, praticantes, profissionais da área da saúde, amantes doesporte e “curiosos”, devido à baixa estatura dos atletas, associando-a adesordens no crescimento, sendo até contra-indicada por profissionaisdesatualizados.

Ao analisar aliteratura científica, não encontramos apoio nessateoria. Para iniciar nosso debate, devemos lembrar (ou conversar com algumprofessor) das aulas de Ciências na 6ª série. Dentre vários assuntos,estudamos as teorias da evolução. Os dois autores que mais se destacaram foramLamarck e Darwin, tentando explicar o tamanho do pescoço das girafas. Oprimeiro cita que as girafas se “esticavam” para alcançar os arbustos maisaltos, ficando assim, com pescoços grandes. O segundo, com outra teoria,explicava que provavelmente existiam girafas com pescoços curtos e longos, e noprocesso de busca por alimentos que ficavam em arbustos altos, sobreviveram asque possuíam pescoços maiores.

Essasegunda teoria é a mais aceita e também deve ser analisada nos esportes. Umaquestão para pensar: será que o basquete estimula o crescimento, ou jovens quepossuem maiores estaturas terão melhor desempenho nesse esporte? Seráque a GA atrapalha o crescimento, ou indivíduos com menores estaturas terãomais sucesso?

Através deuma pequena pesquisa no PUBMED (base de dados Estadunidense sobre Medicina,Nutrição e Educação Física), foram encontrados vários artigos sobre exercícioe crescimento. Veremos alguns deles a seguir.

Em 1993,pesquisadores do Departamento de Pediatria do Hospital Universitário de Canton(Genebra – Suíça) verificaram que ginastas realmente tinham uma menor estaturae menores níveis de IGF-1 (hormônio relacionado ao crescimento), entretanto,segundo os autores, isso se deu por causa deuma baixa ingestão energética e excesso de treino (média de 22 horassemanais), não culpando a atividade em si (Theintz etal.,1993). Outro estudo, agora realizado na Universidade de Kent (Ohio -EUA), viu que jovens lutadores tinham menores níveis de IGF-1 e GH (hormôniosrelacionados ao crescimento), novamente causados por excesso de treino e dietamal organizada (Roemmich et al.,1997).

Segundo Caineet al. (1997) treinos muito intensospodem afetar o crescimento, o que é facilmente corrigido com treinos racionais.O mesmo autor cita em outro estudo realizado em 2001 que, o fato das ginastaspossuírem uma menor estatura, dá-se por múltiplos fatores como: genética,ingestão ineficiente de energia (má alimentação) e excesso de treino.

Em 2000, umestudo realizado no Departamento de Endocrinologia da Universidade de Melbourne(Austrália) mostrou que a baixa estatura de ginastas ocorre devido a uma seleçãoindividual do esporte (Bass et al.,2000).

Maisrecentemente, em 2004, o Departamento de Endocrinologia Pediátrica daUniversidade de Anaka (Turquia), demonstrou durante um estudo que durou 4 anos,que a Ginástica Rítmica, apesar de um atraso na progressão da puberdade, nãoprejudicou o crescimento (Adiyaman et al.,2004).

Um grupo depesquisadores gregos (Universidade Patras) publicou 3 estudos interessantes sobre esse tema. O primeiro deles (Georgopoulos etal., 1999) envolveu 255 atletas de Ginástica Rítmica (GR) e mostrou que oestresse psicológico e o excesso de treino afetam de forma profunda ocrescimento e desenvolvimento sexual. O segundo estudo (Georgopoulos etal., 2001) demonstrou que apesar de um atraso no desenvolvimento sexual, oqual foi compensado no final da puberdade, a pré-disposição para ocrescimento não foi alterada, e surpreendentemente, até aumentada. O últimoestudo (Georgopoulos et al., 2004)chegou à seguinte conclusão: não foi documentado prejuízo algum nocrescimento, em qualquer esporte que não possua uma limitação dietética. Otreinamento físico intenso junto com um balanço energético negativo (dietarestrita) modifica o ajuste hormonal na puberdade, prolongando o estágio pré-pubere,atrasando assim, o desenvolvimento e a menarca em vários esportes.

 Está claro que a Ginástica Artística/Rítmica não atrapalha ocrescimento. A baixa estatura se dá por fatores genéticos (que incluem a pré-disposiçãopara um esporte), baixa ingestão energética (dieta restrita), alta intensidadee treinos demasiadamente longos para as crianças, e não por um esporte em si. O ideal e legalmente recomendado é que as crianças pratiquem esportes comprofessores de Educação Física capacitados (graduados em Educação Física e registrados no respectivo Conselho Regional), junto com o acompanhamento doPediatra, para análises hormonais/maturacionais, e de um Nutricionista, paraque não ocorram desequilíbrios nutricionais.

 

 

ReferênciasBibliográficas 

AdiyamanP, Ocal G, Berberoğlu M, Evliyaoğlu O, Aycan Z, Cetinkaya E, Bulca Y,Ersöz G, Akar N. Alterations in serum growth hormone (GH)/GH dependent ternarycomplex components (IGF-I, IGFBP-3, ALS, IGF-I/IGFBP-3 molar ratio) and theinfluence of these alterations on growth pattern in female rhythmic gymnasts. JPediatr Endocrinol Metab. 2004 Jun;17(6):895-903

 Bass S, Bradney M, Pearce G, Hendrich E, Inge K, Stuckey S, Lo SK, Seeman E. Short stature and delayed puberty in gymnasts: influence ofselection bias on leg length and the duration of training on trunk length. JPediatr. 2000 Feb;136(2):137-9.

 Caine D, Lewis R, O Connor P, Howe W, Bass S. Does gymnastics traininginhibit growth of females? Clin J Sport Med. 2001 Oct;11(4):260-70

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 Georgopoulos NA, Markou KB, Theodoropoulou A, Vagenakis GA, Benardot D,Leglise M, Dimopoulos JC, Vagenakis AG. Height Velocity and Skeletal Maturationin Elite Female Rhythmic Gymnasts. J Clin Endocrinol Metab. 2001 Nov;86(11):5159-64

 Georgopoulos NA, MarkouKB, Theodoropoulou A, Vagenakis GA, Mylonas P, Vagenakis AG.Growth, pubertal development, skeletal maturation andbone mass acquisition in athletes. Hormones (Athenas) 2004, 3(4):233-243

 Roemmich JN, Sinning WE. Weight loss and wrestling training: effects ongrowth-related hormones. J Appl Physiol. 1997 Jun;82(6):1760-4.

 Theintz GE, Howald H, Weiss U, Sizonenko PC. Evidence for a reduction ofgrowth potential in adolescent female gymnasts. J Pediatr. 1993;122:306-13