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A eficácia das intervenções de atividade física no controle do peso tem sido vista como controversa (GENTIL, 2014). As entidades internacionais (Organização Mundial da Saúde e Colégio Americano de Medicina do Esporte) que fornecem guidelines de exercícios para o controle e tratamento da obesidade recomenda volumes altos de exercícios (DONNELLY et al., 2009; SARIS et al., 2003). A orientação é para que as pessoas pratiquem 150 – 250 minutos por semana, e/ou até 60 minutos por dia, de exercício aeróbio de moderada intensidade visando a prevenção do ganho de peso ou para promover modesta redução de peso (2 – 3 kg) (SARIS et al., 2003; TRUMBO et al., 2002). Para uma maior perda de peso (~ 5 – 7,5 kg), a quantidade de exercício recomendada aumenta para, aproximadamente, 420 minutos por semana (> 60 minutos por dia) de exercício aeróbio de moderada intensidade (DONNELLY et al., 2009). No entanto, como já mencionado, a maioria das pessoas não praticam exercício físico regularmente atribuindo a falta de tempo e/ou falta de prazer como uma barreira comum (VELLA et al., 2017; WESTON et al., 2013).

Nesse contexto, o Treinamento Intervalado (TI) tem sido proposto como uma alternativa atraente para tratar o sobrepeso e a obesidade, uma vez que pode trazer benefícios similares ao Treinamento Contínuo de Intensidade Moderada (TCIM), a despeito do menor volume de exercício (GIBALA, 2007; GIBALA et al., 2012; MAILLARD et al., 2016). Alguns estudos favoreceram o TI para a diminuição do percentual de gordura corporal. Um grupo de pesquisadores australianos (TRAPP et al., 2008), dividiram 45 mulheres em três grupos: HIIT (60 x 8 segundos all out, intercalados por 12 segundos de recuperação ativa), Contínuo (20 à 40 minutos a 60% do VO2máx) e o Controle (manter os níveis de atividade física e dieta habitual). Após 15 semanas de intervenção, o grupo HIIT, quando comparado ao Contínuo, apresentou reduções significativas na insulina de jejum, gordura corporal total e gordura subcutânea da perna e do abdômen.

Os resultados de Thomas et al. (1984) também favoreceu o TI para reduções no percentual de gordura corporal em uma amostra mista de homens e mulheres. O TCIM envolvia corrida de dois ou quatro quilômetros a 75% da FCmáx, enquanto o TI envolvia oito sessões de corrida por 60 segundos a 90% da FCmáx, seguidos de três minutos de caminhada. No entanto, uma limitação deste estudo foi a ausência de controle da ingestão alimentar e da atividade física.

Macpherson et al. (2011) comparou os efeitos do SIT (4 – 6 esforços all out de 30 segundos em esteira rolante manual, intercalados por 4 minutos de recuperação) e TCIM (30 – 60 minutos a 60% VO2pico) em uma amostra mista de homens e mulheres fisicamente ativos. Os resultados apontaram para maiores reduções no percentual de gordura corporal para o SIT. No entanto, enquanto os autores reportaram ter encorajado os participantes a manter sua atividade física e padrões alimentares, não houve medidas objetivas dessas variáveis.

De maneira geral, os estudos relacionados aos efeitos do TI no emagrecimento, o comparam com treinos contínuos. Assim, pesquisadores vem desenvolvendo pesquisas com o objetivo de estabelecer se existe um protocolo de TI que promova melhores resultados nesse sentido, quando comparado a outro protocolo de TI. Tong et al. (2018) compararam diferentes protocolos de TI. Houve comparação dos efeitos do SIT e do HIIT na redução da gordura visceral abdominal em 46 mulheres obesas. Os participantes foram designados para um dos três grupos experimentais: SIT (80 x 6 segundos de sprint seguido de uma recuperação passiva de 9 segundos), HIIT (4 minutos a 90% do VO2máx, seguido por 3 minutos de recuperação passiva) e grupo Controle (sem exercício). Os resultados apontaram que o grupo SIT obteve menor redução na gordura abdominal subcutânea e massa de gordura do tronco do que o grupo HIIT. Além disso não foi encontrada diferenças entre os grupos para outros marcadores de gordura corporal.

Naves et al. (2018) compararam os efeitos crônicos de dois tipos de TI, SIT e HIIT, nas medidas antropométricas e no condicionamento cardiorrespiratório em mulheres jovens saudáveis. Assim, 49 mulheres jovens ativas foram randomizadas em dois grupos: SIT ou HIIT. O grupo SIT realizou 4 esforços de 30 segundos all-out intercalados com 4 minutos de recuperação (passiva ou ativa em baixa intensidade). O grupo HIIT realizou 4 esforços de 4 minutos a 90-95% da frequência cardíaca máxima (FCmáx) intercalados com 3 minutos de recuperação ativa a 50-60% da FCmáx. Após 8 semanas, os resultados encontrados para as medidas antropométricas foram que, o somatório de dobras cutâneas reduziu 15,8 ± 7,9% e 22,2 ± 6,4% para o grupo HIIT e o grupo SIT, respectivamente, com maior redução para o grupo SIT quando comparado ao grupo HIIT. Houve diminuição, estatisticamente significativa, na circunferência da cintura para o grupo HIIT (-3,1 ± 1,1%) e grupo SIT (-3,3 ± 1,8%), sem diferença significativa entre grupos. O protocolo SIT induziu maiores melhorias em alguns marcadores de gordura corporal do que o protocolo HIIT. Vale ressaltar que houve controle alimentar através de recordatório alimentar e que as voluntárias não alteraram o padrão alimentar durante o período de intervenção com exercícios.

Em relação a composição corporal, estudos anteriores sugerem que o aumento da oxidação de gordura pós exercício parece ser influenciado pela depleção de glicogênio (KIENS; RICHTER, 1998) e que protocolos que utilizam mais o sistema glicolítico, podem ser mais vantajosos nesse sentido (TUCKER et al., 2016; WHYTE et al., 2013). De acordo com isso, estudos anteriores mostraram vantagens do TI em relação ao TCIM. Além disso, muitos dos artigos anteriores que mostraram vantagens de TI sobre protocolos de intensidade moderada foram realizados com esforços totais associados com tempo de recuperação insuficiente (HIGGINS et al., 2016; TRAPP et al., 2008; TREMBLAY; BOUCHARD, 1994). Por outro lado, protocolos com menores períodos de esforços submáximos intercalados por intervalos de descanso mais longos, não foram eficientes na redução da gordura corporal de adultos com sobrepeso ou indivíduos com síndrome metabólica quando comparados aos protocolos tradicionais (KEATING et al., 2014). Ao que parece, a eficiência do TI não está diretamente associada a ideia do “quanto mais, melhor” (VIANA et al., 2018).

Referências

DONNELLY, J. E. et al. Appropriate physical activity intervention strategies for weight loss and prevention of weight regain for adultsMedicine and Science in Sports and Exercise, 2009.

GENTIL, P. Emagrecimento: quebrando mitos e mudando paradigmas. 3a edição ed. Charleston: [s.n.].

GIBALA, M. J. High-intensity interval training: A time-efficient strategy for health promotion?Current Sports Medicine Reports, 2007.

GIBALA, M. J. et al. Physiological adaptations to low-volume, high-intensity interval training in health and disease. The Journal of Physiology, 2012.

HIGGINS, S. et al. Sprint interval and moderate-intensity cycling training differentially affect adiposity and aerobic capacity in overweight young-adult women. Applied Physiology, Nutrition, and Metabolism, v. 41, n. 11, p. 1177–1183, 2016.

KEATING, S. E. et al. Continuous exercise but not high intensity interval training improves fat distribution in overweight adults. Journal of Obesity, 2014.

KIENS, B.; RICHTER, E. A. Utilization of skeletal muscle triacylglycerol during postexercise recovery in humans. The American journal of physiology, v. 275, n. 2 Pt 1, p. E332-7, ago. 1998.

MACPHERSON, R. E. et al. Run sprint interval training improves aerobic performance but not maximal cardiac output. Medicine & Science in Sports & Exercise, v. 43, n. 1, p. 115–122, jan. 2011.

MAILLARD, F. et al. High-intensity interval training reduces abdominal fat mass in postmenopausal women with type 2 diabetes. Diabetes and Metabolism, 2016.

NAVES, J. et al. Effects of high-intensity interval training vs. sprint interval training on anthropometric measures and cardiorespiratory fitness in healthy young women. Frontiers in Physiology, v. 9, n. 1738, 2018.

SARIS, W. H. M. et al. How much physical activity is enough to prevent unhealthy weight gain? Outcome of the IASO 1st stock conference and consensus statementObesity Reviews, 2003.

THOMAS TR, ADENIRAN SB, E. G. Effects of different running programs on VO2 max, percent fat, and plasma lipids. Can J Appl Sport Sci., 1984.

TONG, T. K. et al. Comparing Time Efficiency of Sprint vs. High-Intensity Interval Training in Reducing Abdominal Visceral Fat in Obese Young Women: A Randomized, Controlled Trial. Frontiers in Physiology, v. 9, p. 1048, 2018.

TRAPP, E. et al. The effects of high-intensity intermittent exercise training on fat loss and fasting insulin levels of young women. International Journal of Obesity, v. 32, n. 4, p. 684–91, 2008.

TREMBLAY, A.; BOUCHARD, C. Impact of exercise intensity on body fatness and skeletal muscle metabolism. v. 43, n. 7, p. 814–818, 1994.

TRUMBO, P. et al. Dietary reference intakes for energy, carbohydrate, fiber, fat, fatty acids, cholesterol, protein and amino acidsJournal of the American Dietetic Association, 2002.

TUCKER, W. J.; ANGADI, S. S.; GAESSER, G. A. Excess postexercise oxygen consumption after high-intensity and sprint interval exercise, and continuous steady-state exercise. Journal of Strength and Conditioning Research, v. 30, n. 11, p. 3090–3097, 2016.

VELLA, C. A.; TAYLOR, K.; DRUMMER, D. High-intensity interval and moderate-intensity continuous training elicit similar enjoyment and adherence levels in overweight and obese adults. European Journal of Sport Science, p. 1–9, 2017.

VIANA, R. B. et al. Can we draw general conclusions from interval training studies? Sports Medicine, 2018.

WESTON, K. S.; WISLØFF, U.; COOMBES, J. S. High-intensity interval training in patients with lifestyle-induced cardiometabolic disease: a systematic review and meta-analysis. British journal of sports medicine, v. 48, n. 16, p. 1–9, 2013.

WHYTE, L. J. et al. Effects of single bout of very high-intensity exercise on metabolic health biomarkers in overweight/obese sedentary men. Metabolism: Clinical and Experimental, v. 62, n. 2, p. 212–219, 2013.

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